Dados da ONU mostram cenário crítico de estiagem e previsão de novo recorde em 2024; Amazônia está entre os biomas com maior impacto nos cursos d'água
A agência meteorológica da Organização das Nações Unidas (ONU) informa que 2023 foi o ano mais seco em mais de três décadas para os rios do mundo, uma vez que o recorde de calor sustentou uma seca dos fluxos de água e contribuiu para estiagens prolongadas em alguns lugares.
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O cenário é reflexo da aceleração das mudanças climáticas, cuja origem está ligada à alta das emissões de gases de efeito estufa.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) também afirma que os glaciares que alimentam os rios em muitos países sofreram a maior perda de massa nas últimas cinco décadas, alertando que o derretimento do gelo pode ameaçar a segurança hídrica a longo prazo para milhões de pessoas em todo o mundo.
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A OMM disse que metade do mundo enfrentou condições de fluxo de rios secos no ano passado, quando começaram os efeitos do fenômeno climático El Niño, que leva à elevação das temperaturas.
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"Recebemos sinais de socorro na forma de chuvas, inundações e secas cada vez mais extremas, que causam grande impacto em vidas, ecossistemas e economias", disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, na divulgação do relatório nesta segunda-feira, 7.
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Ela disse que o aumento das temperaturas levou o ciclo hidrológico a tornar-se, em partes, "mais errático e imprevisível", de formas que podem produzir "muita ou pouca água" tanto durante secas como inundações.
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A agência meteorológica, citando números da ONU Water (ONU Água, em tradução livre) , afirma que cerca de 3,6 mil milhões de pessoas enfrentam acesso inadequado à água durante pelo menos um mês por ano - e espera-se que esse número aumente para 5 mil milhões até 2050.
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O mundo enfrentou o ano mais quente já registrado em 2023, e o verão deste ano também foi o mais quente de todos os tempos, levantando sinais de alerta para um possível novo recorde anual em 2024.
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"Nos (últimos) 33 anos de dados, nunca tivemos uma área tão grande ao redor do mundo sob condições tão secas", disse Stefan Uhlenbrook, diretor de hidrologia, água e criosfera da OMM.
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O relatório afirma que o sul dos Estados Unidos, a América Central e países da América do Sul - como Argentina, Brasil, Peru e Uruguai - enfrentaram condições de seca generalizada e "os níveis de água mais baixos já observados na Amazônia e no Lago Titicaca", na fronteira entre Peru e Bolívia.
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Causas Locais da Seca
As causas da seca em diversas regiões do mundo vão além das mudanças climáticas globais. Fatores locais, como o desmatamento, a urbanização descontrolada e as práticas agrícolas insustentáveis, também têm um papel significativo no agravamento das condições de seca.
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Na Amazônia, por exemplo, o desmatamento massivo altera o ciclo hidrológico, reduzindo a capacidade da floresta de gerar chuva e influenciar os regimes de umidade. As árvores da floresta amazônica desempenham um papel crucial ao liberar vapor d'água através da evapotranspiração, que forma nuvens e alimenta os rios da região.
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Com a redução da cobertura florestal, menos vapor é produzido, o que pode gerar um ciclo vicioso de secas mais prolongadas e severas.
A agricultura extensiva e a pecuária também contribuem para a degradação do solo e o esgotamento dos recursos hídricos.
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A retirada da vegetação nativa para dar lugar a plantações e pastagens compacta o solo, dificultando a infiltração da água e reduzindo a capacidade de recarga dos lençóis freáticos e dos rios. No Brasil, a expansão da fronteira agrícola tem exercido uma pressão significativa sobre rios importantes, levando a uma redução nos fluxos de água.
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Outro fator é a expansão urbana sem planejamento adequado. O crescimento de cidades e a construção de infraestrutura sem consideração pelos impactos ambientais têm levado à destruição de nascentes e zonas de recarga hídrica. Além disso, as cidades consomem grandes quantidades de água, exacerbando a crise em áreas já afetadas pela seca.
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Consequências para a Biodiversidade
A escassez de água afeta diretamente os ecossistemas aquáticos e terrestres, resultando em consequências devastadoras para a biodiversidade. Nos rios, a redução no fluxo de água causa um desequilíbrio nos habitats aquáticos, levando à morte de peixes, anfíbios e plantas aquáticas que dependem de níveis constantes de água para sobreviver.
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A seca prolongada também aumenta a concentração de poluentes nos rios, o que pode resultar em colapsos ecológicos, como a morte em massa de peixes e outros organismos.
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Na Amazônia, a falta de água pode provocar grandes incêndios florestais, destruindo áreas vastas de vegetação e ameaçando diversas espécies, algumas das quais já estão em risco de extinção. Espécies que dependem diretamente dos rios, como lontras, peixes-boi e aves aquáticas, são particularmente vulneráveis à escassez hídrica.
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Além disso, muitos animais que vivem nas bordas dos rios, como jacarés e tartarugas, enfrentam dificuldades para encontrar alimento e abrigo, pois suas áreas naturais de caça e reprodução são drasticamente reduzidas.
A fragmentação dos habitats devido à seca e ao desmatamento dificulta a migração de espécies em busca de áreas mais adequadas para sobreviver, resultando em uma perda de biodiversidade a longo prazo.
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A mudança no ciclo hídrico também afeta o equilíbrio das espécies vegetais, favorecendo o crescimento de plantas menos adaptadas ao ambiente úmido da floresta tropical, o que pode alterar significativamente a composição da vegetação.
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Conclusão
A pior seca em três décadas enfrentada pelos rios ao redor do mundo é um reflexo claro das mudanças climáticas, agravada por práticas humanas insustentáveis, como o desmatamento, a agricultura extensiva e a expansão urbana.
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Na Amazônia, essas pressões locais, combinadas com o aquecimento global, estão levando a um ciclo vicioso de secas mais severas e frequentes, com consequências devastadoras para os cursos d'água e a biodiversidade.
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A escassez de água ameaça diretamente a sobrevivência de espécies aquáticas e terrestres, além de afetar as comunidades humanas que dependem desses ecossistemas para sobreviver.
É urgente a adoção de medidas para mitigar os impactos das secas, tanto em nível global quanto local.
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A preservação das florestas, o uso sustentável da água e o combate às mudanças climáticas são essenciais para garantir a segurança hídrica e a manutenção da biodiversidade.
Sem ações concretas e coordenadas, o cenário de escassez poderá se agravar ainda mais, trazendo consequências irreversíveis para o meio ambiente e para a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo.
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Algumas Informações: Portal Terra
Direitos Autorais Imagem de Capa: Divulgação/SGB / Estadão
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