Estudo revela que mais de 90% dos médicos desconhecem a febre Q, ressaltando a urgência de conscientização.
Febre, calafrios, dor de cabeça, fadiga, mal-estar e tosse. São esses os primeiros sintomas frequentemente atribuídos a gripes ou até mesmo a dengue. Contudo, esses indícios também podem indicar uma zoonose mundial pouco divulgada: a febre Q.
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Essa doença é transmitida aos seres humanos principalmente pela inalação de partículas de poeira contaminadas por animais infectados, como ovelhas, cabras e gado. Apesar de sua seriedade, a doença ainda é pouco conhecida na prática médica, conforme revela uma pesquisa de pós-doutorado realizada pelo farmacêutico e doutor em saúde, Igor Rosa Meurer, pelo Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
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Em entrevista à Tribuna, o especialista explica que a febre Q pode ser classificada em aguda e crônica. “Na fase aguda da doença, os pacientes geralmente apresentam sintomas parecidos com os da dengue e da influenza, como febre, dor de cabeça, dores no corpo, fadiga, dentre outros. Já na fase crônica, os pacientes podem desenvolver problemas mais graves como endocardite, osteomielite e infecções vasculares, podendo o paciente ir a óbito. Além disso, a febre Q tem sido relacionada à síndrome da fadiga crônica”, explica.
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Minas, 20 municípios entre os 126 que fizeram parte da pesquisa, tiveram pelo menos um paciente com exposição prévia ao patógeno causador da doença, sendo eles: Arcos; Belo Horizonte; Belo Vale; Brumadinho; Campos Gerais; Cristina; Divinópolis; Igarapé; Lima Duarte; Mariana; Oliveira; Pedro Leopoldo; Rio Piracicaba; Sabará; Santa Bárbara; Santana do Deserto; São José da Barra; Sarzedo; Três Corações; e, Varginha.
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Prevenção e diagnóstico
Igor também ressalta que a prevenção em humanos é realizada seguindo regras de higiene pessoal durante o contato com animais e de higienização dos espaços em que estão abrigados. “A vacinação em rebanhos de animais tem sido utilizada em alguns países, e tem tido ótimos resultados no controle da febre Q. Reduzindo a doença nos animais, é possível reduzir a contaminação ambiental e, consequentemente, o risco de transmissão ao ser humano”, diz o pesquisador.
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Já o diagnóstico é feito por meio de métodos sorológicos, que têm a finalidade de detectar anticorpos e, em alguns casos, componentes antigênicos. Quanto ao tratamento, existem algumas estratégias, sendo a mais importante a utilização de medicamentos.
90% dos médicos desconhecem a febre Q
Durante sua pesquisa, o farmacêutico revelou que mais de 90% dos médicos desconhecem a febre Q, “uma doença infecciosa negligenciada”.
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A investigação, que entrevistou 254 médicos de hospitais, consultórios e Unidades Básicas de Saúde, mostrou que 236 profissionais, 92,9%, não tinham conhecimento da doença, e 228, 89,7%, estavam desinformados sobre aspectos clínicos, epidemiológicos e laboratoriais.
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Dos 26 médicos que afirmaram ter algum entendimento sobre a febre Q, apenas três conseguiram responder corretamente mais de 50% das perguntas em um questionário estruturado com 25 questões. O estudo destaca a necessidade urgente de melhorar a formação e conscientização sobre doenças negligenciadas entre os profissionais de saúde, integrando as abordagens de saúde humana, animal e ambiental.
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Por fim, o especialista destaca que é fundamental aumentar a divulgação e a conscientização sobre a febre Q no Brasil. “Órgãos competentes, profissionais de saúde e a população devem unir esforços para implementar medidas de investigação, monitoramento, controle e prevenção dessa doença, que ainda é negligenciada e subnotificada no país. A colaboração de todos é essencial para enfrentar esse desafio de saúde pública”, conclui o especialista.
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História e Descoberta
A febre Q foi descoberta em 1935 por Edward Holbrook Derrick, um médico australiano que investigava um surto de uma doença misteriosa entre trabalhadores de um matadouro em Brisbane, Austrália. Inicialmente, a doença foi denominada "Query Fever" (febre com incerteza), já que suas causas e patógeno ainda não eram identificados. Pouco tempo depois, em 1937, o microbiologista americano Harold R. Cox e o bacteriologista australiano Frank Macfarlane Burnet isolaram a bactéria responsável, que mais tarde foi nomeada Coxiella burnetii.
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Desde sua descoberta, a febre Q tem sido reconhecida como uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida de animais para humanos. No entanto, diferentemente de outras doenças zoonóticas mais conhecidas, como a raiva ou a leptospirose, a febre Q continua sendo subnotificada e pouco divulgada em muitas partes do mundo, incluindo o Brasil. Seu reconhecimento na prática médica avançou lentamente, principalmente devido à sua capacidade de se manifestar com sintomas inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico.
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Comparação com Outras Doenças
A febre Q é frequentemente confundida com outras doenças, como a dengue, a gripe (influenza) e até a COVID-19, devido à semelhança dos sintomas iniciais, que incluem febre, dores no corpo, calafrios e fadiga. Assim como a dengue, ela pode provocar quadros agudos, porém, uma diferença importante é a cronicidade potencial da febre Q.
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Enquanto a dengue raramente evolui para formas crônicas, a febre Q pode se manifestar em uma forma crônica perigosa, especialmente em indivíduos com problemas cardíacos preexistentes, resultando em condições graves como endocardite.
Outra distinção está na forma de transmissão.
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A dengue é transmitida pela picada de mosquitos do gênero Aedes, enquanto a febre Q é adquirida principalmente pela inalação de partículas contaminadas por animais infectados, como ovelhas, cabras e gado. Isso torna a febre Q uma preocupação maior em áreas rurais ou para trabalhadores que lidam com animais.
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Ainda, ao contrário da dengue e da gripe, para as quais há maior conscientização e políticas públicas de combate, a febre Q permanece negligenciada, o que gera um atraso na implementação de medidas de prevenção eficazes.
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Perspectivas Futuras
As perspectivas para o controle da febre Q dependem de avanços em várias frentes. Um dos principais desafios é melhorar o reconhecimento da doença tanto entre os profissionais de saúde quanto entre a população em geral. A pesquisa mencionada no artigo mostra que 90% dos médicos desconhecem a febre Q, o que evidencia a necessidade de programas de educação médica continuada.
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Além disso, o desenvolvimento e a implementação de vacinas para animais têm se mostrado eficazes em alguns países para reduzir a incidência da doença entre humanos. Ampliar essas campanhas de vacinação para rebanhos pode ajudar a diminuir significativamente a contaminação ambiental e, por consequência, o risco de infecção em humanos.
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No campo da pesquisa, estudos recentes têm explorado novas técnicas de diagnóstico mais rápidas e precisas, o que pode ajudar a detectar a febre Q de forma mais precoce, melhorando o prognóstico dos pacientes. Além disso, o desenvolvimento de tratamentos mais direcionados, especialmente para a forma crônica da doença, é outra área promissora, com medicamentos antibacterianos mais eficazes sendo testados.
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A febre Q, uma zoonose subnotificada, continua sendo uma ameaça silenciosa para a saúde pública, especialmente em áreas rurais. Apesar de sua descoberta há quase um século, ainda é amplamente negligenciada, tanto por profissionais de saúde quanto pela população.
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A falta de conhecimento sobre a doença dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, o que pode levar a complicações graves, incluindo a forma crônica da doença. Comparada a doenças como a dengue e a gripe, a febre Q se destaca pela sua transmissão silenciosa e potencial cronicidade, o que a torna um desafio único para a saúde pública.
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As perspectivas futuras para a febre Q incluem a ampliação de programas de conscientização, vacinação de rebanhos e o desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico e tratamento.
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Com o avanço na pesquisa e a implementação de políticas mais eficazes, é possível reduzir significativamente o impacto dessa doença negligenciada e evitar que continue a passar despercebida na prática médica. O combate à febre Q exige uma abordagem integrada entre saúde humana, animal e ambiental, e a colaboração global é essencial para enfrentar esse desafio.
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Algumas Informações: Portal Tribuna de Minas
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