Além dos avanços na visão, nenhum dos pacientes apresentou efeitos colaterais graves após dois anos. Estudo foi publicado na The Lancet.
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Pela primeira vez, um tratamento com células-tronco se mostrou eficaz na recuperação parcial da visão em pacientes com lesões graves na córnea, segundo pesquisa publicada na revista The Lancet quinta-feira (7/11).
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O experimento envolveu quatro pessoas que receberam transplante de células-tronco. Três delas obtiveram melhorias significativas na visão, com efeitos duradouros por mais de um ano, enquanto a quarta mostrou pequena melhora.
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A técnica, desenvolvida pela equipe do oftalmologista Kohji Nishida, da Universidade de Osaka, no Japão, usou células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) — um tipo de célula reprogramada que pode ser transformada em diversos tipos de tecido.
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Para isso, os cientistas coletaram células sanguíneas de um doador saudável e as reprogramaram, ou seja, alteraram seu funcionamento para que voltassem a um estado inicial, semelhante ao das células embrionárias.
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Em seguida, as transformaram em finas camadas de células da córnea, transparentes e específicas para regenerar a visão.
Células transplantadas nos pacientes
Entre 2019 e 2020, o grupo realizou o procedimento em dois homens e duas mulheres com idades entre 39 e 72 anos, todos com deficiência de células-tronco limbares (LSCD) em ambos os olhos.
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Durante a cirurgia, a equipe removeu o tecido cicatricial da córnea em um dos olhos e enxertou as células reprogramadas. “Este é um desenvolvimento empolgante”, afirmaram os pesquisadores no artigo.
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Além dos avanços na visão, nenhum dos pacientes apresentou efeitos colaterais graves após dois anos. Os enxertos não formaram tumores e não foram rejeitados pelos sistemas imunológicos dos pacientes, mesmo em casos onde os imunossupressores não foram usados.
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Ainda não se sabe ao certo o que proporcionou as melhorias na visão: pode ter sido a ação direta das células transplantadas ou a remoção do tecido cicatricial que favoreceu a regeneração das células naturais dos pacientes.
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Nishida diz que o grupo planeja começar ensaios clínicos em março para avaliar a eficácia do tratamento. Várias outras pesquisas baseadas em células iPS estão em andamento globalmente para tratar doenças oculares.
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Perspectivas Futuras
O sucesso do transplante de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) para restaurar a visão marca um passo significativo na medicina regenerativa.
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Além da promessa de tratamentos para lesões na córnea, os avanços com células iPS abrem portas para abordar outras condições oculares, como degeneração macular relacionada à idade e retinopatias.
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Fora do campo oftalmológico, a tecnologia das células iPS já está sendo estudada para tratar doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer, além de condições cardíacas e lesões na medula espinhal.
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Esse potencial de versatilidade indica que a terapia baseada em células iPS pode se tornar um dos pilares da medicina personalizada nas próximas décadas.
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No curto prazo, a equipe liderada por Kohji Nishida pretende iniciar ensaios clínicos em larga escala, o que é crucial para validar a eficácia do tratamento em populações mais amplas e diversificadas. Com o tempo, espera-se que essa tecnologia se torne mais acessível, reduzindo os custos e ampliando o alcance, especialmente em países em desenvolvimento.
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Contextualização Histórica
O campo das células iPS começou a ganhar destaque em 2006, quando o pesquisador japonês Shinya Yamanaka anunciou a reprogramação de células adultas para um estado pluripotente.
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Sua descoberta revolucionária, que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Medicina em 2012, abriu novas possibilidades para a regeneração de tecidos sem a necessidade de células-tronco embrionárias, que carregam implicações éticas complexas.
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Desde então, avanços notáveis foram feitos. No Japão, a pesquisa com células iPS foi abraçada como uma prioridade nacional, com investimentos massivos em instituições como o Centro de Pesquisa e Aplicação de Células iPS (CiRA) em Kyoto.
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O transplante de córnea relatado pela equipe de Nishida é um marco nessa trajetória e reflete o papel de liderança do país no desenvolvimento dessa tecnologia.
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No campo oftalmológico, a inovação com células-tronco é um marco histórico que pode ser comparado ao desenvolvimento de técnicas de transplante de córnea no século XX, um divisor de águas para milhões de pacientes.
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A diferença agora é o potencial de regeneração específica e personalizada, um avanço sem precedentes.
Conclusão
A restauração parcial da visão por meio de células iPS representa um triunfo científico e um vislumbre do futuro da medicina regenerativa.
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O estudo não apenas valida a segurança e a eficácia dessa técnica, mas também reforça a capacidade da ciência moderna de transformar vidas.
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Embora desafios permaneçam — como custos, regulamentações e a necessidade de estudos mais amplos —, o progresso é inegável.
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Com a evolução das pesquisas e a ampliação do acesso, podemos estar diante de uma nova era em que a perda de visão deixa de ser irreversível para milhões de pessoas.
Esse avanço inspira esperança, não apenas para pacientes com lesões na córnea, mas para toda a humanidade.
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Algumas Informações: Portal Metrópoles
Direitos Autorais Imagem de Capa: Getty Images/ Divulgação
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