Por: Cerqueiras Publicidades

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Luto e Legado: Morre Arlete, a mãe que lutou por 34 anos para encontrar o filho Guilherme

A esperança de uma mãe é, frequentemente, a força mais inabalável que existe. Para Arlete Caramês Tiburtius, essa força foi o motor de mais de três décadas de uma busca incessante que, infelizmente, terminou sem o abraço mais aguardado.

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Arlete, que se tornou o maior símbolo na busca por pessoas desaparecidas no estado do Paraná e no Brasil, faleceu aos 82 anos, deixando um legado inestimável de luta e transformação social.

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A confirmação de seu falecimento ocorreu na terça-feira (24 de março). A ativista estava internada em um hospital de Curitiba para tratar problemas de saúde e acabou não resistindo. Sua partida encerra um ciclo de 34 anos de uma espera angustiante, mas eterniza a história de uma mulher que se recusou a ser silenciada pela tragédia pessoal.

Foto: Reprodução

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O calvário de Arlete teve início em um dia que parecia comum: 17 de junho de 1991. Seu filho, Guilherme Caramês Tiburtius, então com apenas 8 anos de idade, desapareceu misteriosamente, deixando um vazio que jamais seria preenchido e um caso que marcou a crônica policial do país.

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Naquela manhã fatídica, no bairro Jardim Social, na capital paranaense, Guilherme chegou a telefonar para a mãe. O menino pedia autorização para comprar algo com um dinheiro que havia acabado de encontrar na rua. Pouco antes do horário do almoço, ele saiu de casa para dar uma volta de bicicleta, um hábito comum na época, e nunca mais retornou.

Foto: Reprodução

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O sumiço desencadeou um intenso esforço de buscas logo nos primeiros dias. As forças policiais utilizaram cães farejadores e vasculharam minuciosamente áreas de mata e um rio próximo à residência da família. Apesar de todo o aparato, nenhuma pista sólida foi encontrada, e nem mesmo a bicicleta do garoto foi recuperada, tornando o caso um grande mistério.

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Dentro de casa, a dor se materializou na preservação meticulosa da memória de Guilherme. O quarto do menino, suas roupas, brinquedos, objetos pessoais e fotografias foram mantidos intactos por Arlete ao longo de todos esses anos. O ambiente tornou-se um verdadeiro santuário congelado no tempo, aguardando pacientemente o retorno de seu dono.

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Contudo, Arlete percebeu rapidamente que o sofrimento silencioso dentro de casa não traria seu filho de volta. Diante da falta de estrutura do Estado para lidar com casos complexos dessa natureza na década de 1990, ela decidiu que precisava agir, transformando o seu luto profundo em uma luta ferrenha por justiça e eficiência nas investigações.

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A partir dessa revolta construtiva, ela começou a mobilizar a sociedade civil, autoridades e outras famílias que partilhavam do mesmo pesadelo. Esse esforço de articulação culminou na fundação do Movimento Nacional da Criança Desaparecida do Paraná, um espaço vital de acolhimento mútuo e pressão política.

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A insistência de Arlete e de outras mães de desaparecidos foi o grande catalisador para uma das maiores vitórias institucionais na área de segurança pública do estado. O seu trabalho incansável ajudou diretamente a impulsionar a criação do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), formalizado no ano de 1996.

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O Sicride nasceu como um órgão pioneiro em todo o Brasil. Até os dias de hoje, a delegacia especializada é referência nacional na investigação de casos envolvendo o desaparecimento de menores, garantindo que o tempo de resposta e os métodos de busca sejam otimizados para evitar que outras mães vivam o mesmo desespero.

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Compreendendo que a mudança estrutural precisava vir de dentro das instituições, Arlete, que era bancária de profissão e natural de Porto União (SC), decidiu ingressar de vez na vida pública. Ela encontrou na política uma ferramenta poderosa para amplificar a voz daqueles que costumavam ser invisibilizados pelo sistema.

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Nas eleições municipais de 2000, sua dedicação à causa pública a levou a ser eleita vereadora de Curitiba, exercendo o mandato na Câmara Municipal entre os anos de 2001 e 2003. No legislativo municipal, defendeu com unhas e dentes pautas voltadas à proteção da infância e ao suporte psicológico e jurídico para famílias de pessoas desaparecidas.

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O reconhecimento pelo seu trabalho e a notoriedade de sua causa abriram portas maiores, levando-a à Assembleia Legislativa do Paraná. Arlete atuou como deputada estadual entre os anos de 2003 e 2006, período em que pôde expandir suas políticas de proteção à criança e aos direitos humanos para todo o território paranaense.

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Mesmo distante dos mandatos eletivos nos últimos anos, sua figura nunca deixou de ser reverenciada pela sociedade. No ano passado, sua inspiradora história de resistência foi cuidadosamente documentada no filme “Arlete: o legado de Guilherme”, produzido por estudantes da Universidade Positivo.

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Durante as gravações do documentário, Arlete revelou o que ainda a mantinha de pé após tantas décadas de frustrações. “Uma vez uma mãe me encontrou e disse ‘não desista’. Ela perdeu um filho e 46 anos depois encontrou. Ela disse ‘não desista porque um dia você vai ter uma resposta’. É o que eu espero, ter uma resposta para tentar sobreviver”, declarou ela, evidenciando uma fé inquebrantável.

Infelizmente, a realidade foi dura com a ex-parlamentar, e a tão sonhada resposta não chegou antes do seu último suspiro. Arlete partiu sem saber o que de fato aconteceu com Guilherme naquela tarde de 1991, deixando para trás um mistério não solucionado que ainda ecoa nos arquivos da polícia.

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Irmãos Gonçalves

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O falecimento gerou forte comoção no meio político e social, e a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) divulgou uma nota oficial de pesar. “Arlete Caramês foi uma mulher inspiradora, que nos deixou um grande legado. Após um evento traumático, transformou-se em ativista e, também por meio da política, conseguiu avanços efetivos na proteção das crianças e dos adolescentes. Nossos sentimentos aos amigos e aos familiares”, declarou o vereador Tico Kuzma (PSD), então presidente da CMC.

O Paraná e o Brasil se despedem não apenas de uma ex-parlamentar atuante, mas da principal guardiã da esperança de milhares de famílias que buscam por seus entes queridos. Se hoje existe uma estrutura de referência na busca por desaparecidos, esse sistema deve sua existência às lágrimas, à garra e à coragem inesgotável de Arlete.

Veja o vídeo:

Vídeo: Reprodução Redes Sociais

Algumas informações: Banda B


A Palavra Morde no Portal

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